Quantas parcelas você pode atrasar antes do banco tomar o carro?

O Mito das 3 Parcelas e a Realidade da Lei

Ao contrário do que muitos acreditam, não existe um número mínimo de parcelas atrasadas fixado por lei para que o banco peça a busca e apreensão. De acordo com o Decreto-Lei 911/69, que rege os contratos de alienação fiduciária, a instituição financeira pode considerar o contrato vencido e iniciar o processo de retomada do bem com apenas uma parcela em atraso.

Embora comercialmente os bancos costumem aguardar um período de 30 a 60 dias para tentar uma cobrança amigável, juridicamente eles possuem o direito de agir a partir do primeiro dia de inadimplência.


O Gatilho da Busca e Apreensão: A Notificação

O que realmente autoriza o banco a tomar o carro não é a quantidade de parcelas, mas sim a constituição em mora. Para que o juiz conceda uma liminar de busca e apreensão, o banco precisa provar que notificou o devedor formalmente.

  1. A Notificação: O banco deve enviar uma carta (geralmente via Cartório ou com Aviso de Recebimento – AR) para o endereço constante no contrato.

  2. A Entrega: Para a justiça, basta que a notificação tenha sido entregue no endereço do devedor, mesmo que não tenha sido assinada por ele pessoalmente.

  3. Atualização de Dados: Se você mudou de endereço e não informou o banco, a notificação enviada ao endereço antigo pode ser considerada válida, permitindo que o processo avance sem que você saiba.

Uma vez comprovada a entrega dessa notificação e permanecendo o débito, o banco pode protocolar a ação judicial. Em muitos casos, o mandado de busca e apreensão é expedido pelo juiz em menos de 48 horas.


Estratégias Legais de Defesa

Mesmo diante do atraso, o devedor possui mecanismos de defesa para evitar a perda definitiva do veículo:

1. Revisão de Abusividades

Muitas vezes, o valor das parcelas torna-se impagável devido à inclusão de juros abusivos ou taxas ilegais. Recomendamos o uso de nossa calculadora de juros para verificar se o seu contrato respeita os limites do Banco Central. Caso existam irregularidades, a própria mora pode ser contestada judicialmente.

2. Adimplemento Substancial

Se você já pagou a grande maioria das parcelas (ex: 32 de 36 meses), o advogado pode argumentar que a apreensão do bem é uma medida desproporcional, preservando o veículo com o proprietário e convertendo a dívida em uma cobrança simples.

3. Purgação da Mora

Após o veículo ser apreendido, o consumidor tem, por lei, o prazo de 5 dias para pagar o valor total da dívida (parcelas vencidas e vincendas) para receber o carro de volta livre de ônus.


Para obter a orientação jurídica necessária e esclarecer todas as dúvidas sobre busca e apreensão, atraso de parcelas ou revisão de contratos de financiamento, o contato pode ser estabelecido com um advogado especializado via WhatsApp. Disponibilizamos o canal de comunicação abaixo para este fim.

FAQ – Perguntas Frequentes

1. O banco pode me ligar cobrando antes de entrar na justiça?

Sim, as ligações de cobrança fazem parte da fase extrajudicial. A ação de busca e apreensão geralmente ocorre quando essas tentativas falham.

2. O oficial de justiça pode levar o carro se ele estiver na rua?

Sim. Com o mandado em mãos, o oficial de justiça pode apreender o veículo em qualquer local público ou privado (com ordem de arrombamento, se necessário).

3. Se o banco levar o carro, meu nome limpa?

Não automaticamente. O carro será leiloado e, se o valor da venda não quitar toda a dívida e as custas do banco, você continuará devendo o saldo remanescente e com o nome negativado.

4. Posso fazer um acordo após a apreensão?

Sim, mas nesse estágio o banco costuma ser muito mais rígido, exigindo o pagamento total e as custas processuais.

5. Existe algum vídeo sobre os direitos em busca e apreensão?

Sim, para entender as nuances da defesa patrimonial, veja este conteúdo explicativo:

6. Como saber se já existe um processo contra mim?

É possível realizar consultas pelo CPF nos portais dos Tribunais de Justiça estaduais.

7. O que fazer se eu receber uma notificação de cartório?

Não ignore. Esse é o sinal de que a ação judicial é o próximo passo. Procure orientação imediata.

8. Onde acompanhar atualizações sobre direitos bancários?

Siga o Instagram @joaoinacio_adv para dicas diárias.

João Inácio

João Gabriel Inácio é advogado especialista em Direito do Consumidor e Direito Bancário, fundador do escritório João Inácio Advogados Associados, escritório referência contra Bancos e Financeiras.

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JOÃO GABRIEL INÁCIO

ADVOGADO ESPECIALISTA EM DIREITO DO CONSUMIDOR

OAB/PR 90.259

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